sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "ESFOLHANDO O AMADO CORPO" (fragmento), de Luzilá Gonçalves






... Tudo cabe aqui : 
uma menina magrinha retoma o caminho do colégio 
pelas ruas do Espinheiro e a adolescência se refaz 
no Parque 13 de Maio, onde a gente festeja a vida  
depois das aulas. Aqui reencontro amigos, 
naquela praça ouvi meu primeiro "eu te amo", naquele  
cais chorei o amor desesperadamente perdido, 
o Capibaribe por testemunha.   
Outras cidade serão mais belas - o mundo está  
cheio de corpos lindos - mas nenhuma delas me daria
esta sensação permanente de surpresa e descobertas, 
ser único e insubstituível, cuja forma, odores, maciez, 
eu reconheceria de olhos fechados Recife, corpo 
amado.   



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 



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LUZILÁ GONÇALVES  -  Nasceu em Garanhuns (PE) e vive no Recife desde 
os 6 anos de idade.  Poetisa, contista, romancista, ensaísta e professora 
universitária (Letras/UFPE).  Publicou mais de 30 livros : contos, romances, 
ensaios, biografias, antologias.  É autora do livro de poesia O Espaço do Teu 
Rosto. Membro da APL e colunista do Diário de Pernambuco ("Letras às 
Terças"). Incluída na primeira edição da antologia Poesia Viva do Recife 
(CEPE, Recife, PE, 1996).    

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Transcrito da AGENDA CULTURAL DO RECIFE (Dezembro 2014) 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / 
Fundação de Cultura Cidade do Recife 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 

terça-feira, 18 de novembro de 2014

RECIFE, de Montez Magno








Esta claridade 
que mata e não ilumina. 
Este suor do tempo 
e o seu calor;  
a umidade presente 
escorrendo no corpo 
e a sua boca gritando 
fugindo dos apelos  
que rondam pela cidade; 
e esta cicatriz quase nua  
como um carimbo roto 
que não tem mais validade. 


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 




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MONTEZ MAGNO  - Nasceu em Timbaúba (PE) no ano de 1944. Poeta, pintor, 
contista, ensaísta. Exposições de arte realizadas no Brasil e no Exterior. Poesia 
publicada : Floemas, Narkosis, Dentro da Caixa/Cinza, Pequenos Sucessos, 
As Estações Visionárias, Diwan da Casa Forte.  Participou da primeira edição  
da antologia Poesia Viva do Recife (CEPE, Recife, 1996).   

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Transcrito da AGENDA CULTURAL DO RECIFE (Novembro 2014) 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / 
Fundação de Cultura Cidade do Recife 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 




terça-feira, 21 de outubro de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE :"DOS MEUS SONHOS DE MENINA" (fragmento), de Germana Accioly






   Seis da manhã. 
Tocam os sinos da igreja de Santa Cruz. 
Repicam-se na igreja de São Gonçalo. 
O convento da Glória acorda seus carrilhões. 
A Matriz da Imperatriz alardeia. 
Estou no coração da cidade. 
Cada vez mais no seu coração, nas suas tripas, no seu miúdo. 
Agradeço ao Recife por me mostrar o Coque. 
Por sentir o cheiro azedo dos seus canais. 
Por me agraciar com a paisagem das palafitas a partir da Ponte Velha, 
Contraste do Mangue provedor com o cais excludente. 
Agradeço porque assim amo mais. 
Sou grata pela paisagem do porto no Marco Zero. 
Pelas colinas da Marim que revelam minha cidade natal de cima. 
O colorido do carnaval que entorpece. 
O clarim que hipnotiza. 
O frevo que escraviza a alma folia...     



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 



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GERMANA ACCIOLY - Recifense. Estudou música e jornalismo. Apresentou programas culturais  na TV Universitária / UFPE e TV Tribuna do Recife.  Fez curso de gestão cultural na França e estágio na Comédia Francesa.  Pós-graduação na área de política e representação parlamentar.  Publica o blog  literário PERDER DE VISTA (http://www.perderdevista.blogspot.com.br). Inédita em livro. 


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Transcrito da edição impressa da AGENDA CULTURAL 
- Outubro 2014 / Seção "Giro Literário", página 66 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / Fundação de Cultura  
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

SAÍ A CAMINHAR PELAS "CALLES", de Héctor Pellizzi





que aqui se chamam ruas 
e vi um mendigo velho 
que lavava os cabelos 
num charco de água suja.  


a noite calorosa  
suspensa nos meus ombros 
esmagou os meus ossos, 
e esse charco sobre o cimento
me lembrou o companheiro 
que lutou contra isso 
e agora está morto.  

saí a caminhar pelas "calles" 
que se chamam ruas 
e voltei comovido  
com o coração oprimido 
e os bolsos sem luas.    




(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 




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HÉCTOR PELLIZZI - Nasceu em Junín, região metropolitana de Buenos Aires,
Argentina. Poeta, contista, dramaturgo, jornalista, editor. Radicado no Recife,
em 1980, militou no Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco -
MEIPE. Publicou, entre outros, estes livros de poesia : Por Camiños de Pajáros,
Pequenos Poemas Bilingues, Con las ventanas abiertas, América Indignada.
Incluído na antologia Marginal Recife - Coletânea Poética 3, 
da Fundação de Cultura / Secretaria de Cultura / Prefeitura do Recife.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "CASA DE DETENÇÃO", de Severino Filgueira







Na janela 
de um antigo prédio  
sonha-se o túmulo  
e a rama  
solitária da estação.  

Parece impossível 
que se medite  
no verso que passou 
enquanto pregam 
cartazes nos murais  
e um cão 
muda de lugar  
e numa terra distante  
o povo livre  
recebe o ar 
do dia.

As pedras dormem 
e as ondas seguem.      


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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SEVERINO FILGUEIRA - Nasceu em Aracaju (SE). 
Poeta, novelista, dramaturgo e romancista. Trabalhos 
publicados em suplementos literários do Diário de  
Pernambuco e Jornal do Commercio e em antologias 
pernambucanas. Poesia publicada : Aposentos do 
sonho (in "Quíntuplo"), Iniciação à Fábula
Qualquerum. Participou da primeira edição da 
antologia Poesia Viva do Recife (Companhia Editora 
de Pernambuco -CEPE, 1996).

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Acesse AGENDA CULTURAL (Agosto 2014) 
- Seção "Giro Literário" 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural)


terça-feira, 12 de agosto de 2014

POETAS DOS PALMARES : "CARTA A MINHA CIDADE", de Luiz Alberto Machado





ao meu rincão 
que soletrei sílabas de todos os tons 
deixo o meu desejo provinciano  
foi nas tuas praças que descobri a poesia  
foi na tua noite que desvendei mistérios  
foi no teu dia que morri muitas vezes 
foi no teu canavial  que deixei meu sangue  
foi no teu rio que comunguei com a vida  
dos bairros nobres ao baixo meretrício  
dos bueiros da usina aos estudos da faculdade 
da safra da cana à entressafra da razão 
da incompetência da câmara ao sucesso dos loucos 
dos desvarios comerciais aos crimes impunes  
das damas hipócritas às jovens sedutoras  
das reuniões inúteis às salas de dança 
dos cultores do passado aos artistas malucos  

me completei 
me dizimei 
e me consenti 
com certeza te deixo o meu velório  
e a paz de quem sorri.    




(Da antologia  POETAS DOS PALMARES,
 organizada por Juareiz Correya,
em edição eletrônica a ser lançada em dezembro/2014
pela Panamerica Nordestal Editora, do Recife)

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LUIZ ALBERTO MACHADO é palmarense, filho do poeta Rubem de Lima
Machado.  Poemas publicados em jornais locais e de diversos Estados
brasileiros.  Ainda muito jovem, participou dos movimentos culturais de
Palmares. Músico e escritor, é também autor de diversas peças e dirigiu 
grupos teatrais amadores. Participou de vários festivais de música. 
Publicou, entre outros,  os livros de poesia Para viver o personagem
 do homem (1982),  A intromissão do verbo (1983), Raízes e Frutos
em parceria com Rubem de Lima Machado (1985), Canção da Terra
(1987), Paixão Legendária (1991) e Primeira Reunião (1992).  Publicou 
vários títulos de literatura infantil.  Atualmente vive em Maceió (AL),
 onde dirige a Edições Nascente e edita um site  literário com o seu nome - http://www.luizalbertomachado.com.br 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "PELAS RUAS DO RECIFE", de Clóvis Campelo







Pelas ruas do Recife surge a novidade, 
afirmam-se credos seculares, 
renascem mitos modernos.  

Pelas ruas do Recife dorme-se o sono dos justos, 
cessam as palavras,  
falam por si sós os fatos.  

Pelas ruas do Recife caminha a humanidade, 
correm as notícias, 
dispara a revolução.    

Pelas ruas do Recife travam-se todas as lutas,  
cruzam-se todos os olhares, 
reverenciam-se todos os deuses.   

Pelas ruas do Recife transitam todos os anjos, 
ocorrem todas as mortes,  
condensam-se todas as imagens.     


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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CLÓVIS CAMPELO  - Recifense. Formado em Letras
(UFPE), com especialização em crítica literária. 
Poemas publicados em jornais recifenses e sites literários
e culturais brasileiros na Internet. Dedica-se 
profissionalmente à fotografia.  Participou da Antologia
Poética 2007, do grupo virtual Poetas Independentes. 

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Transcrito da AGENDA CULTURAL (Julho 2014) 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / 
Fundação de Cultura Cidade do Recife  
- Acesse http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural     

terça-feira, 24 de junho de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "AQUÁTICA", de Marcílio Medeiros






Arrastado de outros portos  
aqui aprendi a ser água. 
Recife é a cidade que transborda  
não se quedou soterrada.  
Reparte-se em rios 
transporta sua multiplicidade. 
Transpira inquieta
em canais demarcados. 
Exige pontes a aproximá-la. 
Descobre outras artérias 
a comportá-la. 
Invade aberturas secretas. 
Há que se diluir para abraçar  
o seu corpo de peixes, 
navios, coragem 

Naufragar para renascer  
noutra vida 
de afogados. 
Sua lei 
seu destino 
é derramar-se. 



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 



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MARCÍLIO MEDEIROS -  Recifense. Na década de 1980 
editou os jornais alternativos Vaga-Lume e Prólogo. 
Conquistou prêmios de poesia em Pernambuco. Poesia publicada : 
Anjo Clandestino, A Pulsação Repleta. Publica, na Internet,  
os blogs literários "Liras, Musas & Aedos"
 (http://marciliomedeiros.blogspot.com) e "Vida Literária" 
(http://marciliomedeiros.zip.net) 

segunda-feira, 12 de maio de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "BENÇA, MÃE", de Márcia Maracajá






"BENÇA, MÃE"


                                                                 Márcia Maracajá 


De passagem 
Saudade certeira  
Estar aqui 
É saber de mim 

Volto a me esquentar 
Em seu ventre  
Em suas águas  
Rios e mar  

Mãe que me embalou  
Em rimas 
Em cantos  
Em risos e prantos  

Mãe Recife, 
Sua benção, 
Vou-me embora 
Levo tudo o que me ensinou...


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 



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MÁRCIA MARACAJÁ  -  Natural do Recife, onde estudou e iniciou suas
atividades como professora de Língua Portuguesa, poetisa, escritora, 
blogueira, performer literária.  Vive hoje em Garanhuns (PE). Tem poemas 
selecionados em concursos literários do IMC - Instituto Maximiano Campos 
e da Prefeitura do Recife (Bibliotecas de Afogados e de Casa Amarela). 
Poemas divulgados em revistas e jornais alternativos, blogs e sites 
da Internet. Inédita em livro.  Publica livremente no seu blog 
- http://marciamaracaja.blogspot.com.br    


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Acesse AGENDA CULTURAL (Maio 2014)
- Seção "Literatura" / Poesia Viva do Recife
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural)


domingo, 6 de abril de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "ORAÇÃO PARA BOA VIAGEM", de Luiz Manuel Paes Siqueira





Senhor, a vida se resume  
à Zona Sul 
que lá, Senhor, a vida 
ao mar azul 
se une.   


E ao shopping center  
também, Senhor
no mostra mostra 
no tem-não-tem.  


Ao crediário, Senhor  
esse divino  
mediador. 


E à doce vida: 
um pouco fútil 
mas colorida.   


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 


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LUIZ MANUEL PAES SIQUEIRA - Nasceu em Garanhuns(PE). 
Geólogo, poeta e romancista. Poesia publicada : "A Última Valsa", 
"A Cidade da Luz Azul", "Jamais Houve Trevas".  Participou da primeira 
edição da antologia "Poesia Viva do Recife" (CEPE, Recife, 1996)

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Acesse AGENDA CULTURAL DO RECIFE 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 

sábado, 8 de março de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "DESCOBRIMENTO DO RECIFE" (fragmento), de Maria de Lourdes Hortas





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Debruçada na cisterna das chuvas de ontem  
convoquei sombras e lume  
heróis e nave  
saudade e ternura  
catedrais, hinos  
atavismos, guitarras 
heranças e destinos. 
Todavia, no coagulado silêncio das águas pantanosas  
me vi - forasteira por ruas alheias.   

Chego, enfim, ao presente  
reverso desta paisagem 
lá onde estou 
outra margem deste mar  
águas se desdobrando em rios e mangues  
e pedras se fazendo arrecifes. 


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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MARIA DE LOURDES HORTAS - Nasceu em São Vicente da Beira 
(Portugal). Vive no Recife desde os 9 anos de idade. Poetisa, 
ensaísta, contista e romancista. Exerceu, por alguns anos, o cargo 
de diretora cultural do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco.
Poesia publicada : Aromas da Infância, Fio de Lã, Giestas, Outro 
Corpo, Recado de Eva, Todavia, Rumor de Vento. Edita o blog 
literário Poesia de Maria de Lourdes Hortas. Participou da primeira  
edição da antologia Poesia Viva do Recife (CEPE, Recife, PE,1996)

Acesse : AGENDA CULTURAL (Março 2014) 
http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural 



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "RECIFE / EU / RECIFE", de Sílvio Hansen





Recife traçado 
Com as linhas do meu corpo ... 
Com o líquido do meu corpo ... 
Com o suor do meu rosto... 


Recife sem porta  
Recife sem porto 

Com os seus rios vivos 
Às vezes mortos. 
Com seus rumos tortos... 

Somos unidos como xifópagos 
Jamais um viverá sem o outro.  

Recife de rumo certo... 
E eu de rumo torto...      



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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SÍLVIO HANSEN - Nasceu em Paulista (PE). Poeta e artista 
plástico premiado em salões de Pernambuco e do Exterior. 
Coordenou, ao lado de Rogério Generoso, exposições do 
movimento cultural Invenção de Poesia, realizadas mensalmente
na Biblioteca Popular de Casa Amarela / Prefeitura do 
Recife. Publicação em revistas alternativas, fanzines e livros 
de arte. Poesia publicada : Poesia Visual (2007). Incluído na  
antologia Marginal Recife - Coletânea Poética 5.

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Acesse : AGENDA CULTURAL (Fevereiro 2014) 
Seção  - "Literatura" 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 

domingo, 26 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "REMATE DE MALES", de Dalila Teles Veras




"eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta..." 
                                            (Mário de Andrade) 


há uma gota de sangue em cada esquina  
desta paulicéia desvairada  
um losango cáqui apodrecido 
uma lira incendiada  
no carro da miséria paulistana  
há cem jabutis pelas calçadas  
deste chão de de ausências e calcário
cidade. mais que pisada. órfã. 
sem mário. 



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora 
- http://www.panamerica.net.br)




sábado, 25 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "PAULIS", de Ieda Estergilda de Abreu





Tenho por essa cidade um carinho de fera  
que afaga muros ásperos, procura árvores 
ventos livres. 
Humana e caótica, São Paulo ruge  
de urgência, acaricia e agoniza. 
Digo que vou deixá-la, ela não me deixa  
tem garras, amarras 
jeito de apertar quando tudo parece 
solto. 
Digo que ela me sufoca  
e pasmo por não saber seus limites. 
Nela gasto os sapatos, os ossos 
ela não me escapa mas não é minha  
essa cidade temporal.      



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO,  
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora  
- http://www.panamerica.net.br) 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "DO LARGO DO AROUCHE", de Álvaro Alves de Faria





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Aqui na floricultura 
do Largo do Arouche, 
eu espero o fim do mundo 
olhando para a Academia Paulista de Letras. 
Os automóveis estacionados na madrugada  
me fazem lembrar sepulturas antigas 
que me habitam. 
Aqui na floricultura do Largo do Arouche 
escolho as últimas flores 
para a última mulher. 
Tenho em mim as palavras desnecessárias  
para um discurso que nunca farei. 
Aqui na floricultura do Largo do Arouche  
espero o fim do mundo 
como quem espera o bonde 
da avenida São João 
que não existe mais. 



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora, 
- http://www.panamerica.net.br) 



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "SP", de Izacyl Guimarães Ferreira






Desse colégio nascido num pátio 
a inclinar-se na vertente ao lado 
e sobre um rio fluindo ao contrário, 
espalhando-se lenta por um arco 
entre colinas e a serra que cai, 
veio vindo ocupando seu lugar 
sem procurá-lo, meio por acaso, 
e das garoas, névoas, como um raio 
risca o espaço e atroa, faz-se caos  
e explode nessa multiplicidade. 





(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por  Dalila Teles Veras e Juareiz Correya,
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora  
- http://www.panamerica.net.br) 




quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "Paralelo Oito", de Frederico Spencer





Ao Recife, uma cidade 
vestida de papel sobre as águas.



No teu dorso de cidade - a giz 
traço no meu caderno tuas rotas  
até onde o medo me cabe : 
inventário de sombras - pátio aberto 
sobre o rio mocambos parasitários  
à flor de tua pele  
a fé de um deus seu povo viça : 
pacífico e atlântico azul 
o leste desatado - o sol e o mar  
trago do tempo : areia e sal  
de teus mapas  
a solidão de minhas ilhas.  



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)



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FREDERICO SPENCER - Recifense. Formado em sociologia 
e psicopedagogia. Poemas e textos críticos publicados em jornais,
 revistas e blogs.  Prêmio de poesia da Academia  Pernambucana 
de Letras em 1985. É editor, com Natanael Lima Jr., do blog
DOMINGO COM POESIA (http://domingocompoesia.com). 
Poesia publicada : PORTAL DO TEMPO, QUADRANTES 
URBANOS, ABRIL SITIADO (também em edição eletrônica). 
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Acesse: AGENDA CULTURAL (Janeiro 2014) 
Seção - "Literatura" 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural)