domingo, 26 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "REMATE DE MALES", de Dalila Teles Veras




"eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta..." 
                                            (Mário de Andrade) 


há uma gota de sangue em cada esquina  
desta paulicéia desvairada  
um losango cáqui apodrecido 
uma lira incendiada  
no carro da miséria paulistana  
há cem jabutis pelas calçadas  
deste chão de de ausências e calcário
cidade. mais que pisada. órfã. 
sem mário. 



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora 
- http://www.panamerica.net.br)




sábado, 25 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "PAULIS", de Ieda Estergilda de Abreu





Tenho por essa cidade um carinho de fera  
que afaga muros ásperos, procura árvores 
ventos livres. 
Humana e caótica, São Paulo ruge  
de urgência, acaricia e agoniza. 
Digo que vou deixá-la, ela não me deixa  
tem garras, amarras 
jeito de apertar quando tudo parece 
solto. 
Digo que ela me sufoca  
e pasmo por não saber seus limites. 
Nela gasto os sapatos, os ossos 
ela não me escapa mas não é minha  
essa cidade temporal.      



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO,  
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora  
- http://www.panamerica.net.br) 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "DO LARGO DO AROUCHE", de Álvaro Alves de Faria





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Aqui na floricultura 
do Largo do Arouche, 
eu espero o fim do mundo 
olhando para a Academia Paulista de Letras. 
Os automóveis estacionados na madrugada  
me fazem lembrar sepulturas antigas 
que me habitam. 
Aqui na floricultura do Largo do Arouche 
escolho as últimas flores 
para a última mulher. 
Tenho em mim as palavras desnecessárias  
para um discurso que nunca farei. 
Aqui na floricultura do Largo do Arouche  
espero o fim do mundo 
como quem espera o bonde 
da avenida São João 
que não existe mais. 



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora, 
- http://www.panamerica.net.br) 



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "SP", de Izacyl Guimarães Ferreira






Desse colégio nascido num pátio 
a inclinar-se na vertente ao lado 
e sobre um rio fluindo ao contrário, 
espalhando-se lenta por um arco 
entre colinas e a serra que cai, 
veio vindo ocupando seu lugar 
sem procurá-lo, meio por acaso, 
e das garoas, névoas, como um raio 
risca o espaço e atroa, faz-se caos  
e explode nessa multiplicidade. 





(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por  Dalila Teles Veras e Juareiz Correya,
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora  
- http://www.panamerica.net.br) 




quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "Paralelo Oito", de Frederico Spencer





Ao Recife, uma cidade 
vestida de papel sobre as águas.



No teu dorso de cidade - a giz 
traço no meu caderno tuas rotas  
até onde o medo me cabe : 
inventário de sombras - pátio aberto 
sobre o rio mocambos parasitários  
à flor de tua pele  
a fé de um deus seu povo viça : 
pacífico e atlântico azul 
o leste desatado - o sol e o mar  
trago do tempo : areia e sal  
de teus mapas  
a solidão de minhas ilhas.  



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)



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FREDERICO SPENCER - Recifense. Formado em sociologia 
e psicopedagogia. Poemas e textos críticos publicados em jornais,
 revistas e blogs.  Prêmio de poesia da Academia  Pernambucana 
de Letras em 1985. É editor, com Natanael Lima Jr., do blog
DOMINGO COM POESIA (http://domingocompoesia.com). 
Poesia publicada : PORTAL DO TEMPO, QUADRANTES 
URBANOS, ABRIL SITIADO (também em edição eletrônica). 
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Acesse: AGENDA CULTURAL (Janeiro 2014) 
Seção - "Literatura" 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural)