quarta-feira, 21 de agosto de 2013

CANÇÃO DO RECIFE PARA SEMPRE, de Antonio Botelho





Haverá sempre um Recife no meu peito.
Um Recife que tem o cheiro da saudade
De uma mãe invisível que permanece
Me esperando na janela.

Haverá sempre um Recife no meu peito.
Um Recife que tem a cor da lembrança
Dos sapatos de um pai que está sempre
A retornar de uma viagem imaginária.

Haverá sempre um Recife no meu peito.
Recife que é fera que salta no meu sonho.
Recife que revela a fera que pretendo
Mas que jamais serei.

Haverá ontem, hoje e sempre
Um Recife que me apunhala
Me acorrenta e me liberta
Em suas pontes que me atravessam
E me levam
A todo e a nenhum lugar.  





(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 




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Transcrito da AGENDA CULTURAL 
- Número 216 /  Agosto 2013 - 
Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / 
Fundação de Cultura Cidade do Recife 
Seção "Literatura" : 
Poesia Viva do Recife 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

POESIA VIVA DE NATAL : "UMA CIDADE VESTIDA DE SOL", de Racine Santos





Sendo a cidade Natal
uma filha do Nordeste
pega o sol toda manhã
e com ele então se veste.

Natal se veste de sol
roupa de rica fazenda
não se rasga nem se suja
e tampouco se remenda.

O sol cai sobre Natal
como roupa bem talhada
(de linho ou de algodão)
que a traz iluminada.

Como uma roupa de festa,
um vestido de noivado,
ou como um terno branco
todo engomado.

Como uma roupa de gala
eu bem diria,
mesmo que seja usada
no dia a dia.

Roupa de puro sol
que larga se faz na praia
onde parece um lençol :
branco lençol de cambraia.

Assim vestida de sol
a cidade de Natal
lembra mulher em repouso
terna e sensual.

De dezembro a fevereiro
quando mais forte o calor
a cidade então se veste
com mais apuro e rigor.

Nesse tempo de verão
explode a cidade em luz :
por todo canto se vê
os estilhaços cajus.

Mesmo vestida de sol
(como pedra no sertão)
ainda mais se agasalha
quando se faz o verão.

No verão ela se veste
de sol com tanta alegria
que se mais um sol houvesse
com mais sol se vestiria.

Mas à noite enfim se despe
de sua roupa de luz
e banhada então em brisa
é mulher e nos seduz.


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RACINE SANTOS  - Poeta e expoente do teatro
 potiguar, nasceu em Natal, 1948. Ainda adolescente
 estudou no Recife, cujos círculos literários frequentou, 
travando os primeiros contatos com intelectuais 
pernambucanos, que muito o influenciaram,
 notadamente João Cabral de Melo Neto, na poesia,
 e Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho, no teatro. 
Dramaturgo consagrado, autor de mais de 7 peças 
encenadas no Brasil e em Portugal. Publicou estes 
livros de poesia : A CASA NORDESTINA (1985), 
UMA CIDADE VESTIDA DE SOL (1986), 
ROMANCE DA FORTALEZA DA BARRA  
DO POTENGI (1995).
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(Transcrito da antologia POESIA VIVA DE NATAL
- Organização de Manoel Onofre Jr. - 
Fundação Cultural Capitania das Artes / 
Prefeitura Municipal do Natal / Nordestal Editora  
- Natal (RN) / Recife (PE), 1999)