domingo, 6 de abril de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "ORAÇÃO PARA BOA VIAGEM", de Luiz Manuel Paes Siqueira





Senhor, a vida se resume  
à Zona Sul 
que lá, Senhor, a vida 
ao mar azul 
se une.   


E ao shopping center  
também, Senhor
no mostra mostra 
no tem-não-tem.  


Ao crediário, Senhor  
esse divino  
mediador. 


E à doce vida: 
um pouco fútil 
mas colorida.   


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 


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LUIZ MANUEL PAES SIQUEIRA - Nasceu em Garanhuns(PE). 
Geólogo, poeta e romancista. Poesia publicada : "A Última Valsa", 
"A Cidade da Luz Azul", "Jamais Houve Trevas".  Participou da primeira 
edição da antologia "Poesia Viva do Recife" (CEPE, Recife, 1996)

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Acesse AGENDA CULTURAL DO RECIFE 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 

sábado, 8 de março de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "DESCOBRIMENTO DO RECIFE" (fragmento), de Maria de Lourdes Hortas





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Debruçada na cisterna das chuvas de ontem  
convoquei sombras e lume  
heróis e nave  
saudade e ternura  
catedrais, hinos  
atavismos, guitarras 
heranças e destinos. 
Todavia, no coagulado silêncio das águas pantanosas  
me vi - forasteira por ruas alheias.   

Chego, enfim, ao presente  
reverso desta paisagem 
lá onde estou 
outra margem deste mar  
águas se desdobrando em rios e mangues  
e pedras se fazendo arrecifes. 


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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MARIA DE LOURDES HORTAS - Nasceu em São Vicente da Beira 
(Portugal). Vive no Recife desde os 9 anos de idade. Poetisa, 
ensaísta, contista e romancista. Exerceu, por alguns anos, o cargo 
de diretora cultural do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco.
Poesia publicada : Aromas da Infância, Fio de Lã, Giestas, Outro 
Corpo, Recado de Eva, Todavia, Rumor de Vento. Edita o blog 
literário Poesia de Maria de Lourdes Hortas. Participou da primeira  
edição da antologia Poesia Viva do Recife (CEPE, Recife, PE,1996)

Acesse : AGENDA CULTURAL (Março 2014) 
http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural 



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "RECIFE / EU / RECIFE", de Sílvio Hansen





Recife traçado 
Com as linhas do meu corpo ... 
Com o líquido do meu corpo ... 
Com o suor do meu rosto... 


Recife sem porta  
Recife sem porto 

Com os seus rios vivos 
Às vezes mortos. 
Com seus rumos tortos... 

Somos unidos como xifópagos 
Jamais um viverá sem o outro.  

Recife de rumo certo... 
E eu de rumo torto...      



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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SÍLVIO HANSEN - Nasceu em Paulista (PE). Poeta e artista 
plástico premiado em salões de Pernambuco e do Exterior. 
Coordenou, ao lado de Rogério Generoso, exposições do 
movimento cultural Invenção de Poesia, realizadas mensalmente
na Biblioteca Popular de Casa Amarela / Prefeitura do 
Recife. Publicação em revistas alternativas, fanzines e livros 
de arte. Poesia publicada : Poesia Visual (2007). Incluído na  
antologia Marginal Recife - Coletânea Poética 5.

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Acesse : AGENDA CULTURAL (Fevereiro 2014) 
Seção  - "Literatura" 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 

domingo, 26 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "REMATE DE MALES", de Dalila Teles Veras




"eu sou trezentos, sou trezentos e cinquenta..." 
                                            (Mário de Andrade) 


há uma gota de sangue em cada esquina  
desta paulicéia desvairada  
um losango cáqui apodrecido 
uma lira incendiada  
no carro da miséria paulistana  
há cem jabutis pelas calçadas  
deste chão de de ausências e calcário
cidade. mais que pisada. órfã. 
sem mário. 



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora 
- http://www.panamerica.net.br)




sábado, 25 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "PAULIS", de Ieda Estergilda de Abreu





Tenho por essa cidade um carinho de fera  
que afaga muros ásperos, procura árvores 
ventos livres. 
Humana e caótica, São Paulo ruge  
de urgência, acaricia e agoniza. 
Digo que vou deixá-la, ela não me deixa  
tem garras, amarras 
jeito de apertar quando tudo parece 
solto. 
Digo que ela me sufoca  
e pasmo por não saber seus limites. 
Nela gasto os sapatos, os ossos 
ela não me escapa mas não é minha  
essa cidade temporal.      



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO,  
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora  
- http://www.panamerica.net.br) 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "DO LARGO DO AROUCHE", de Álvaro Alves de Faria





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Aqui na floricultura 
do Largo do Arouche, 
eu espero o fim do mundo 
olhando para a Academia Paulista de Letras. 
Os automóveis estacionados na madrugada  
me fazem lembrar sepulturas antigas 
que me habitam. 
Aqui na floricultura do Largo do Arouche 
escolho as últimas flores 
para a última mulher. 
Tenho em mim as palavras desnecessárias  
para um discurso que nunca farei. 
Aqui na floricultura do Largo do Arouche  
espero o fim do mundo 
como quem espera o bonde 
da avenida São João 
que não existe mais. 



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, 
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora, 
- http://www.panamerica.net.br) 



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

SÃO PAULO, 460 ANOS : "SP", de Izacyl Guimarães Ferreira






Desse colégio nascido num pátio 
a inclinar-se na vertente ao lado 
e sobre um rio fluindo ao contrário, 
espalhando-se lenta por um arco 
entre colinas e a serra que cai, 
veio vindo ocupando seu lugar 
sem procurá-lo, meio por acaso, 
e das garoas, névoas, como um raio 
risca o espaço e atroa, faz-se caos  
e explode nessa multiplicidade. 





(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO, 
organizada por  Dalila Teles Veras e Juareiz Correya,
a ser publicada pela Panamerica Nordestal Editora  
- http://www.panamerica.net.br)