terça-feira, 18 de novembro de 2014

RECIFE, de Montez Magno








Esta claridade 
que mata e não ilumina. 
Este suor do tempo 
e o seu calor;  
a umidade presente 
escorrendo no corpo 
e a sua boca gritando 
fugindo dos apelos  
que rondam pela cidade; 
e esta cicatriz quase nua  
como um carimbo roto 
que não tem mais validade. 


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 




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MONTEZ MAGNO  - Nasceu em Timbaúba (PE) no ano de 1944. Poeta, pintor, 
contista, ensaísta. Exposições de arte realizadas no Brasil e no Exterior. Poesia 
publicada : Floemas, Narkosis, Dentro da Caixa/Cinza, Pequenos Sucessos, 
As Estações Visionárias, Diwan da Casa Forte.  Participou da primeira edição  
da antologia Poesia Viva do Recife (CEPE, Recife, 1996).   

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Transcrito da AGENDA CULTURAL DO RECIFE (Novembro 2014) 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / 
Fundação de Cultura Cidade do Recife 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 




terça-feira, 21 de outubro de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE :"DOS MEUS SONHOS DE MENINA" (fragmento), de Germana Accioly






   Seis da manhã. 
Tocam os sinos da igreja de Santa Cruz. 
Repicam-se na igreja de São Gonçalo. 
O convento da Glória acorda seus carrilhões. 
A Matriz da Imperatriz alardeia. 
Estou no coração da cidade. 
Cada vez mais no seu coração, nas suas tripas, no seu miúdo. 
Agradeço ao Recife por me mostrar o Coque. 
Por sentir o cheiro azedo dos seus canais. 
Por me agraciar com a paisagem das palafitas a partir da Ponte Velha, 
Contraste do Mangue provedor com o cais excludente. 
Agradeço porque assim amo mais. 
Sou grata pela paisagem do porto no Marco Zero. 
Pelas colinas da Marim que revelam minha cidade natal de cima. 
O colorido do carnaval que entorpece. 
O clarim que hipnotiza. 
O frevo que escraviza a alma folia...     



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 



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GERMANA ACCIOLY - Recifense. Estudou música e jornalismo. Apresentou programas culturais  na TV Universitária / UFPE e TV Tribuna do Recife.  Fez curso de gestão cultural na França e estágio na Comédia Francesa.  Pós-graduação na área de política e representação parlamentar.  Publica o blog  literário PERDER DE VISTA (http://www.perderdevista.blogspot.com.br). Inédita em livro. 


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Transcrito da edição impressa da AGENDA CULTURAL 
- Outubro 2014 / Seção "Giro Literário", página 66 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / Fundação de Cultura  
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 




quinta-feira, 11 de setembro de 2014

SAÍ A CAMINHAR PELAS "CALLES", de Héctor Pellizzi





que aqui se chamam ruas 
e vi um mendigo velho 
que lavava os cabelos 
num charco de água suja.  


a noite calorosa  
suspensa nos meus ombros 
esmagou os meus ossos, 
e esse charco sobre o cimento
me lembrou o companheiro 
que lutou contra isso 
e agora está morto.  

saí a caminhar pelas "calles" 
que se chamam ruas 
e voltei comovido  
com o coração oprimido 
e os bolsos sem luas.    




(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 




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HÉCTOR PELLIZZI - Nasceu em Junín, região metropolitana de Buenos Aires,
Argentina. Poeta, contista, dramaturgo, jornalista, editor. Radicado no Recife,
em 1980, militou no Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco -
MEIPE. Publicou, entre outros, estes livros de poesia : Por Camiños de Pajáros,
Pequenos Poemas Bilingues, Con las ventanas abiertas, América Indignada.
Incluído na antologia Marginal Recife - Coletânea Poética 3, 
da Fundação de Cultura / Secretaria de Cultura / Prefeitura do Recife.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "CASA DE DETENÇÃO", de Severino Filgueira







Na janela 
de um antigo prédio  
sonha-se o túmulo  
e a rama  
solitária da estação.  

Parece impossível 
que se medite  
no verso que passou 
enquanto pregam 
cartazes nos murais  
e um cão 
muda de lugar  
e numa terra distante  
o povo livre  
recebe o ar 
do dia.

As pedras dormem 
e as ondas seguem.      


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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SEVERINO FILGUEIRA - Nasceu em Aracaju (SE). 
Poeta, novelista, dramaturgo e romancista. Trabalhos 
publicados em suplementos literários do Diário de  
Pernambuco e Jornal do Commercio e em antologias 
pernambucanas. Poesia publicada : Aposentos do 
sonho (in "Quíntuplo"), Iniciação à Fábula
Qualquerum. Participou da primeira edição da 
antologia Poesia Viva do Recife (Companhia Editora 
de Pernambuco -CEPE, 1996).

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Acesse AGENDA CULTURAL (Agosto 2014) 
- Seção "Giro Literário" 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural)


terça-feira, 12 de agosto de 2014

POETAS DOS PALMARES : "CARTA A MINHA CIDADE", de Luiz Alberto Machado





ao meu rincão 
que soletrei sílabas de todos os tons 
deixo o meu desejo provinciano  
foi nas tuas praças que descobri a poesia  
foi na tua noite que desvendei mistérios  
foi no teu dia que morri muitas vezes 
foi no teu canavial  que deixei meu sangue  
foi no teu rio que comunguei com a vida  
dos bairros nobres ao baixo meretrício  
dos bueiros da usina aos estudos da faculdade 
da safra da cana à entressafra da razão 
da incompetência da câmara ao sucesso dos loucos 
dos desvarios comerciais aos crimes impunes  
das damas hipócritas às jovens sedutoras  
das reuniões inúteis às salas de dança 
dos cultores do passado aos artistas malucos  

me completei 
me dizimei 
e me consenti 
com certeza te deixo o meu velório  
e a paz de quem sorri.    




(Da antologia  POETAS DOS PALMARES,
 organizada por Juareiz Correya,
em edição eletrônica a ser lançada em dezembro/2014
pela Panamerica Nordestal Editora, do Recife)

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LUIZ ALBERTO MACHADO é palmarense, filho do poeta Rubem de Lima
Machado.  Poemas publicados em jornais locais e de diversos Estados
brasileiros.  Ainda muito jovem, participou dos movimentos culturais de
Palmares. Músico e escritor, é também autor de diversas peças e dirigiu 
grupos teatrais amadores. Participou de vários festivais de música. 
Publicou, entre outros,  os livros de poesia Para viver o personagem
 do homem (1982),  A intromissão do verbo (1983), Raízes e Frutos
em parceria com Rubem de Lima Machado (1985), Canção da Terra
(1987), Paixão Legendária (1991) e Primeira Reunião (1992).  Publicou 
vários títulos de literatura infantil.  Atualmente vive em Maceió (AL),
 onde dirige a Edições Nascente e edita um site  literário com o seu nome - http://www.luizalbertomachado.com.br 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "PELAS RUAS DO RECIFE", de Clóvis Campelo







Pelas ruas do Recife surge a novidade, 
afirmam-se credos seculares, 
renascem mitos modernos.  

Pelas ruas do Recife dorme-se o sono dos justos, 
cessam as palavras,  
falam por si sós os fatos.  

Pelas ruas do Recife caminha a humanidade, 
correm as notícias, 
dispara a revolução.    

Pelas ruas do Recife travam-se todas as lutas,  
cruzam-se todos os olhares, 
reverenciam-se todos os deuses.   

Pelas ruas do Recife transitam todos os anjos, 
ocorrem todas as mortes,  
condensam-se todas as imagens.     


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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CLÓVIS CAMPELO  - Recifense. Formado em Letras
(UFPE), com especialização em crítica literária. 
Poemas publicados em jornais recifenses e sites literários
e culturais brasileiros na Internet. Dedica-se 
profissionalmente à fotografia.  Participou da Antologia
Poética 2007, do grupo virtual Poetas Independentes. 

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Transcrito da AGENDA CULTURAL (Julho 2014) 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / 
Fundação de Cultura Cidade do Recife  
- Acesse http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural     

terça-feira, 24 de junho de 2014

POESIA VIVA DO RECIFE : "AQUÁTICA", de Marcílio Medeiros






Arrastado de outros portos  
aqui aprendi a ser água. 
Recife é a cidade que transborda  
não se quedou soterrada.  
Reparte-se em rios 
transporta sua multiplicidade. 
Transpira inquieta
em canais demarcados. 
Exige pontes a aproximá-la. 
Descobre outras artérias 
a comportá-la. 
Invade aberturas secretas. 
Há que se diluir para abraçar  
o seu corpo de peixes, 
navios, coragem 

Naufragar para renascer  
noutra vida 
de afogados. 
Sua lei 
seu destino 
é derramar-se. 



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 



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MARCÍLIO MEDEIROS -  Recifense. Na década de 1980 
editou os jornais alternativos Vaga-Lume e Prólogo. 
Conquistou prêmios de poesia em Pernambuco. Poesia publicada : 
Anjo Clandestino, A Pulsação Repleta. Publica, na Internet,  
os blogs literários "Liras, Musas & Aedos"
 (http://marciliomedeiros.blogspot.com) e "Vida Literária" 
(http://marciliomedeiros.zip.net)