sábado, 14 de dezembro de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "MURAL DOS GUARARAPES", de Ariano Suassuna





A terra cor de vinho : furna, a onça castanha, 
Num corpo de batalha - o mundo, o ouro do sol -
Há sangue nas raízes, há ossos que branquejam 
No sol da terra sangra o sol deste outro sol. 
E ainda esturra aqui a onça da paz, escuma,
 Mestiça magistral - a onça, a gateada. 
Um de seus olhos dorme, o outro, aceso, encandeia. 
Vigiando o sol, as pedras, as árvores sagradas. 
E Deus escreve certo suas áureas linhas tortas: 
Nesta terra, que é Dele, o Diabo perde as botas. 
- "Viva o sangue de Deus, limpando a luz do mal !" - 
Grita o clarim dos cantos, à luz deste mural. 



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 




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AGENDA CULTURAL (Dezembro 2013)
- Página 63 - Seção "Literatura" -
Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura
Fundação de Cultura Cidade do Recife
Acesse : http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural / 
http://www.agendaculturaldorecife.blogspot.com.br 




quinta-feira, 7 de novembro de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "POETAS NO RECIFE", de Ramos Sobrinho





O poeta atravessa 
a ponte 
qual um cão atravessa  
a fome, 
farejando as pedras, 


inventa babilônias
com ruas de poemas  
e jardins suspensos  


contra a tísica das horas.  


E ninguém vê. 



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)

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RAMOS SOBRINHO (José Ramos Sobrinho) 
nasceu em Goiana (PE). Poeta, contista e 
cronista. É antropólogo formado pela UFPE
e ex-professor da FAFICA (Caruaru, PE). 
Funcionário público aposentado do Banco 
do Brasil.  Poemas divulgados em jornais, 
revistas, e em duas antologias da Associação 
Atlética Banco do Brasil (AABB). Prepara a 
publicação do seu primeiro livro de poesia. 

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Transcrito da AGENDA CULTURAL
(Novembro 2013, Número 219, Seção "Literatura")
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /
Fundação de Cultura Cidade do Recife
- http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural 





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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A CANÇÃO DA CIDADE AMADA, de Maria Pereira de Albuquerque




Durante o dia sou a mulher 
que não anda corre 
através das ruas  
driblando pivetes 
e carros. 

Durante o dia sou a mulher  
máquina  
que se desvia dos camelôs
 da Guarda Municipal  
não olha vitrines  
passa. 

Porém à noite  
solto os cabelos 
aos alíseos  
vôo rasante entre  
penhascos, escolhos  
e desato a alma.  

Ah, noite-Recife  
de sustos e graças ! 



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 





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Transcrito da AGENDA CULTURAL DO RECIFE 
(Outubro, 2013) 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /
 Fundação de Cultura  Cidade do Recife 
Acesse : Seção Literatura / Poesia Viva do Recife 
http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural 
http://www.agendaculturaldorecife.blogspot.com







sexta-feira, 13 de setembro de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "GERAÇÃO", de Cida Pedrosa






vivíamos no intestino do recife 
e o capibaribe  
era um parto de sonhos  
onde digeríamos sonhos  

vai longe o tempo  
em que fuzis e baionetas  
poderiam ser canto  
enternecido e libre  

geração ácida  
que diluía a alma em álcool  
e fazia da redoma o copo  

com certeza, senhores  
vai longe, muito longe, o tempo  
em que tiramos o papel do limbo 
e cravamos o punhal no branco  



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya) 


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CIDA PEDROSA - Nasceu em Bodocó (PE). Militante dos Escritores 
Independentes de Pernambuco. Poetisa, advogada. Organiza recitais 
de poesia nas ruas do Recife e em cidades da Região Metropolitana. 
Dirige, com Sennor Ramos, a revista eletrônica de poesia 
INTERPOÉTICA (www.interpoetica.com) É secretária do Meio Ambiente 
e Sustentabilidade /Prefeitura do Recife.  Incluída na antologia Marginal
Recife - Coletânea Poética I. Poesia publicada : Restos do Fim, 
O cavaleiro da epifania, Cântaro, Gume, As Filhas de Lilith, Miúdos. 

Transcrito da AGENDA CULTURAL DO RECIFE (Setembro 2013). 
Acesse www.recife.pe.gov.br/agendacultural 


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

CANÇÃO DO RECIFE PARA SEMPRE, de Antonio Botelho





Haverá sempre um Recife no meu peito.
Um Recife que tem o cheiro da saudade
De uma mãe invisível que permanece
Me esperando na janela.

Haverá sempre um Recife no meu peito.
Um Recife que tem a cor da lembrança
Dos sapatos de um pai que está sempre
A retornar de uma viagem imaginária.

Haverá sempre um Recife no meu peito.
Recife que é fera que salta no meu sonho.
Recife que revela a fera que pretendo
Mas que jamais serei.

Haverá ontem, hoje e sempre
Um Recife que me apunhala
Me acorrenta e me liberta
Em suas pontes que me atravessam
E me levam
A todo e a nenhum lugar.  





(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya) 




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Transcrito da AGENDA CULTURAL 
- Número 216 /  Agosto 2013 - 
Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / 
Fundação de Cultura Cidade do Recife 
Seção "Literatura" : 
Poesia Viva do Recife 
(http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural) 




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

POESIA VIVA DE NATAL : "UMA CIDADE VESTIDA DE SOL", de Racine Santos





Sendo a cidade Natal
uma filha do Nordeste
pega o sol toda manhã
e com ele então se veste.

Natal se veste de sol
roupa de rica fazenda
não se rasga nem se suja
e tampouco se remenda.

O sol cai sobre Natal
como roupa bem talhada
(de linho ou de algodão)
que a traz iluminada.

Como uma roupa de festa,
um vestido de noivado,
ou como um terno branco
todo engomado.

Como uma roupa de gala
eu bem diria,
mesmo que seja usada
no dia a dia.

Roupa de puro sol
que larga se faz na praia
onde parece um lençol :
branco lençol de cambraia.

Assim vestida de sol
a cidade de Natal
lembra mulher em repouso
terna e sensual.

De dezembro a fevereiro
quando mais forte o calor
a cidade então se veste
com mais apuro e rigor.

Nesse tempo de verão
explode a cidade em luz :
por todo canto se vê
os estilhaços cajus.

Mesmo vestida de sol
(como pedra no sertão)
ainda mais se agasalha
quando se faz o verão.

No verão ela se veste
de sol com tanta alegria
que se mais um sol houvesse
com mais sol se vestiria.

Mas à noite enfim se despe
de sua roupa de luz
e banhada então em brisa
é mulher e nos seduz.


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RACINE SANTOS  - Poeta e expoente do teatro
 potiguar, nasceu em Natal, 1948. Ainda adolescente
 estudou no Recife, cujos círculos literários frequentou, 
travando os primeiros contatos com intelectuais 
pernambucanos, que muito o influenciaram,
 notadamente João Cabral de Melo Neto, na poesia,
 e Ariano Suassuna e Hermilo Borba Filho, no teatro. 
Dramaturgo consagrado, autor de mais de 7 peças 
encenadas no Brasil e em Portugal. Publicou estes 
livros de poesia : A CASA NORDESTINA (1985), 
UMA CIDADE VESTIDA DE SOL (1986), 
ROMANCE DA FORTALEZA DA BARRA  
DO POTENGI (1995).
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(Transcrito da antologia POESIA VIVA DE NATAL
- Organização de Manoel Onofre Jr. - 
Fundação Cultural Capitania das Artes / 
Prefeitura Municipal do Natal / Nordestal Editora  
- Natal (RN) / Recife (PE), 1999) 



segunda-feira, 10 de junho de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "SERMÃO PARA UMA CIDADE", de Rogério Generoso





Olhai, que o atlântico já anuncia 
tuas casas, pontes e rios, submersas. 


Olhai, que um polvo já desliza 
em teu futuro extinto, aonde fora 
o pináculo dos teus edifícios. 


E, uma floresta de corais, já cobre 
a tua geografia, onde antes se viam
homens e automóveis. 



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)



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ROGÉRIO GENEROSO - Recifense, nascido em setembro de 1963.
 Criou, com um grupo de amigos, o movimento cultural
"Invenção de Poesia", que promove, desde 2004, exposições mensais
 de poesia na Biblioteca Popular de Casa Amarela.  Participação ativa
em recitais poéticos na região do Grande Recife.  É membro da diretoria
da UBE-PE. Incluído na antologia MARGINAL RECIFE - Coletânea
Poética 5, publicação da Fundação de Cultura Cidade do Recife.
Poemas publicados em jornais alternativos  e na Internet. 
 Poesia publicada :  LAURENT E OUTROS POEMAS.


sexta-feira, 10 de maio de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "CHOVE NA RUA DO SOL", de Luciano Nunes






Andando
com meus óculos embaçados
na neblina de maio
atravesso a Ponte Duarte Coelho
sinto os dedos do tempo, ao lado,
batendo no ombro do silêncio. 

Recife é a parede a janela 
dela vejo o mundo.
Lá fora Deus é pássaro. 

Chove na Rua do Sol
Chove no Rio da Rua da Aurora
Quem sente frio na Rua do Sol
Escreve poesia com a tinta da chuva. 

Passeia chuva, passeia,
Passeia na ponte, vadeia nas ilhas. 
Domingo de chuva e silêncio
mergulho no rio das horas 
com meus óculos embaçados.   



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, 
organizada por Juareiz Correya )


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LUCIANO NUNES - Recifense.  É funcionário
público federal. Poeta, compositor e autor  de 
música popular, com gravações em CDs de Patricia 
Cruz e Paulo Diniz.  Tem pronto para publicação 
um estudo sobre poetas populares nordestinos. 
Inédito em livro.   

domingo, 7 de abril de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "RECIFE", de Marco Polo Guimarães




(Homenagem aos 476 Anos da Cidade)




Recife, cidade pantera,
fera de lata e latão,
gume de foice, severa
esfera de ferro, ferrão.

Recife, cidade minério,
rios, ventos, luz e chão,
poço cavado no aéreo
areal da imaginação.  




(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)



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MARCO POLO GUIMARÃES - Recifense, nascido em março de 1949.
É diretor de produção editorial da CEPE. Poemaspublicados em jornais,
 revistas e antologias brasileiras. Poesia publicada : Voo Subterrâneo,
Brilho, Palavra Clara, A Superfície do Silêncio, Caligrafias, Sax áspero,
Corpo Inteiro. Participou da primeira edição da antologia  Poesia Viva
do Recife (CEPE / Governo de Pernambuco, Recife, PE, 1996)
Acesse : Agenda Cultural  (Abril 2013) - Literatura 
 http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural

terça-feira, 12 de março de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : livro impresso e eletrônico em homenagem aos 476 anos da Cidade






     A segunda edição da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, ampliada com a reunião de textos de 200 poetas pernambucanos, será lançada, pela Panamerica Nordestal Editora, em edições impressa e eletrônica, ainda neste ano de 2013, em homenagem aos 476 anos da cidade. 

     O poeta e editor Juareiz Correya, responsável pela organização da antologia, esclarece que "na primeira edição, publicada pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Governo do Estado, em 1996, por iniciativa do presidente Evaldo Costa, o livro reunia 100 poetas pernambucanos.  A nova edição, revista e ampliada, preserva os poetas/poemas publicados da primeira edição e publica novos textos, criados sobre o Recife, de alguns poetas já conhecidos e de novos e novíssimos poetas que vivem, amam e eternizam a cidade."

     Além dos 100 poetas já publicados na primeira edição da antologia, estes são alguns dos novos nomes com poemas já selecionados para a segunda edição da antologia POESIA VIVA DO RECIFE :

     Adriana Perrucci, Alexandre Furtado, Altair Leal, Aluísio Santos, André Cervinskis, André Luiz de Castro, Antonio Botelho, Antonio Campos, Arnaud Mattoso, Ary Sergas Santos, Bernardo Valença,  Carlos Cardoso, Carlos Maia, Cármino Willans, César Jeansen, Cida Pedrosa, Cloves Marques, Clóvis Campelo, Daniel Lima, Davino Ribeiro de Sena, Débora Brennand, Débora Colaço, Delmo Montenegro, Edvaldo Bronzeado, Erickson Luna, Esman Dias, Everardo Norões, Fábio Andrade, Feliciano Junior, Fernanda Jardim, Fernando Araújo,
Fernando Chile, Flávio Camboril, Garibaldi Otávio, Geraldo Falcão, Giovanna Guterres, Graça Graúna, Hildeberto Montenegro, Ivan Maia, Ivan Marinho Filho, Joaquim Ricardo, Joca de Oliveira, Jomard Muniz de Britto, José Almino de Alencar, José Luiz de Almeida Melo, José Ramos Sobrinho, José Tavares Jofilsan, José Terra, Josilene Corrêa, Lara, Lenilde Freitas, Liana Mesquita, Luciano Nunes, Lúcio Ferreira, Luiz Carlos Albuquerque, Luiz Carlos Dias, Malungo, Manoel Constantino, Márcia Maia, Márcia Maracajá, Marcilio Medeiros, Marcos d'Morais, Mariana Arraes, Marilda Vasconcelos de Oliveira, Mauro Sales, Meca Moreno, Micheliny Verunschk, Miriam Portela, Miró, Nivaldo Lemos, Odmar Braga, Paulo Azevedo Chaves, Paulo Bruscky, Pedro Américo de Farias, Raimundo de Moraes, Robson Sampaio, Rogério Generoso, Romero Amorim, Ronildo Maia Leite, Sérgio Augusto Silveira, Sérgio Leandro, Sílvio Hansen, S.R. Tuppan, Talis Andrade, Valmir Jordão, Wellington Melo, Weydson Barros Leal, Wilson Vieira. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "Recife : Geografia Pessoal", de Jaci Bezerra






Guarda a cidade num dos arquipélagos da alma 
como quem guarda na estante os seus poetas prediletos :
Bandeira, Cardozo, João Cabral, Carlos Drummond de Andrade.
E sabe, ao amorosamente folheá-la,
que pode ir dormir como homem e acordar como acácia. 
Nada capaz de assustar a poesia.
Apenas, depois que a conheceu, aceitou ficar assim 
povoado de beirais e torres de igrejas 
para sustentar andorinhas no ar.
E branco, todo branco, como a alma em cal viva 
lavra esse metro de lembrança e luz
com um solitário rio no meio : cantando. 



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya )


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JACI BEZERRA nasceu em Murici (AL). Vive desde a adolescência
no Recife. Poeta,  contista, dramaturgo e editor.  Criador, com
Alberto da Cunha Melo e alguns amigos, do movimento cultural 
"Edições Pirata".  Poesia publicada em antologias nordestinas 
e brasileiras.  Organizou, com Syvia Pontual, o ÁLBUM DO RECIFE
(1987). Poesia publicada :  LAVRADOURO, LIVRO DE OLINDA,
LIVRO DAS INCANDESCÊNCIAS, CANTOS DA COMARCA
e LINHA D'ÁGUA. 

sábado, 9 de fevereiro de 2013

POESIA VIVA DO RECIFE : "FREVO DE VÁRZEA", de Wilson Araújo






Tô entre o santa
cruz e a espada 
no peito 
com a corda no pescoço 
avanço 
um passo
na barreira cara
a cara e a coragem
para suportar 
torcer
contorcer pelo santa 
cruz e credo
tudo é carnaval
do futebol
até  o sol 
raiar 
resistir é preciso
no riso 
de pileque 
com meu lado moleque 
um pique vadio
em terreno baldio
 
 
(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)
 
 
 
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WILSON ARAÚJO  -  Nasceu em São João dos Patos (MA).  Vive no Recife (PE).
 Funcionário público federal.  Poemas publicados em suplementos e revistas literárias 
brasileiras. Publicou o livro de poesia PauBrasília e livretos, folhetos, em parceria
com Pedro Américo de Farias. Incluído na primeira edição de POESIA VIVA
DO RECIFE (CEPE / Governo de Pernambuco, Recife, 1996). 


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O CAPIBARIBE E O MAR DO RECIFE




          A fotografia destacada neste blog é de autoria de Chico Ludermir, divulgada com o texto O RIO COMO ESPAÇO A SER OCUPADO (Revista Continente - Edição 146 - Fev / 2013).  Acesse : http://www.continente.com.br

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

ST. LOUIS BLUE STREET, de Alberto Beuttenmuller







Rua São Luís
Rua mistificada
Mon Montparnasse
God save st. Louis
Elevadores com dores baixas
Prédios e prédios sem remédios 
Tédios-ódios-solidão
Fumaça saindo das carnes 
Sensualidade sem sexo
Sexomaníacos de escritório
Faróis-anzóis-caracóis
Mãos-de-mãos-contra-mão
Calmaria de agitação 
Ação-contraação-inação
Rua São Luís 
Rua sem santos 
Mon Montparnasse 
Quatro quadras 
De riso e solidão 
Um pouco de todos nós
Saindo de dentro de todos 



(Da antologia inédita POESIA VIVA DE SÃO PAULO) 




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ALBERTO BEUTTENMULLER - É paulistano. Jornalista, poeta, ficcionista,
editor, administrador cultural.  Formado em jornalismo,  exerceu a profissão
em diversas empresas paulistanas, a exemplo de O Estado de São Paulo
e Folha de São Paulo. Publicou novelas e ensaios. Poemas e contos publicados 
em antologias paulistanas.  Poesia publicada : ESPADAMORMARMORTE (1970),
KATATRUZ (1980). Tem, pronta para publicação, a novela
O ENIGMA DOS MAIAS. 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

UM POEMA SOBRE A CIDADE, de Juareiz Correya






Um poema sobre a cidade 
é arquitetônico estatístico
geográfico histórico urbanístico ?
Um poema sobre a cidade 
tem gente trânsito tragédias 
ruas avenidas pontes viadutos
atropelamentos histórias nascimentos 
naturezas vivas e mortas ?

Um poema sobre a cidade 
atravessa casas edifícios condomínios 
desorienta números e Institutos de Geografias e Estatísticas 
reinventa a  humanidade antiga e nova que nela habita 
e rejuvenesce o passado e morre o futuro e perpetua o presente 

Um poema sobre a cidade 
é o tempo e não é o tempo
de criação e de danação

Um poema sobre a cidade 
manda para o espaço a cidade 
e é terra batida asfalto árvores verdes e negras rio lama
atmosfera cósmica 
ou apenas uma praça nua rua uma viela um beco

Um poema sobre a cidade 
tem mários oswalds bandeiras ascensos drummonds hermilos cabrais
celinas vinicius thiagos gullares amados pessoas florbelas  hortas 
adélias notaros jacis bruskys ledas vanjas márcias marias
mariamas terras guaranis pedros floras e um poeta que escreve 
um poema sobre a cidade 

Um poema sobre a cidade 
é claro e transitável como as Matemáticas e Cibernéticas Ciências 
morre de amores e renasce amando 
ébrio de versos e de fantasias livrescas 
memorável como os endereços dos catálogos de bairros 
impublicável como os jornais e as revistas de plantão
está acessível em todas as telas de computadores 
e chegará às mentes e aos corações por qualquer via da Internet 

Um poema sobre a cidade 
é só um poeta e a sua humanidade 


Recife, julho 2008.

(Do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO)