domingo, 12 de maio de 2019

"GOIÂNIA", DE GILBERTO MENDONÇA TELES






MONUMENTO ÀS TRÊS RAÇAS 
ou  MONUMENTO À GOIÁNIA - GOIÁS  
(www.curtamais.com.br) 



1.
Enquanto a capital era Goiás
o Estado inteiro se perdia 
no descampado de seu próprio nome. 
Por trás da Serra Dourada, 
o tempo cochilava na beira do rio  
e o sol morria além.  


De vez em quando alguém espiava 
por cima da serra : 
os horizontes
se abriam nas distâncias do planalto, 
o mundo perdia-se de vista 
e o sol nascia além.   


3. 
De guaiá vem Goiás e, repetida,  
a raiz de Goiânia que, por ora, 
mantém a tradição que teve outrora 
de "região de gente parecida". 


De tudo parecido, pois agora 
descubro o mesmo gosto na comida 
(de pamonha e pequi) e na demora 
da fala que me dá prazer à vida.    


Hoje em Goiânia  mais e mais se expande 
e já tem tudo de cidade grande, 
só não perdeu o que me faz tão bem: 
o gesto provinciano do Anhanguera 
mostrando ao índio que ficou de espera 
o sol antigo que morria além.   




(Transcrito da antologia GOIÂNIA EM POESIA, 
publicada pelo Instituto Histórico 
e Geográfico de Goiás - Goiânia, 2005) 



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GILBERTO MENDONÇA TELES - Nasceu  em Bela Vista de Goiás
(junho, 1931). Formado em Letras Neolatinas pela Faculdade de 
Filosofia da Universidade Católica de Goiás e em Direito 
pela Universidade Federal de Goiás. Professor fundador da 
Universidade Católica de Goiás e da Faculdade de Filosofia 
da Universidade Federal de Goiás.  Pertence a instituições 
especializadas da França, Portugal, Uruguai, e instituições 
brasileiras em Goiás, Rio de Janeiro e outros Estados.  Publicou 
mais de 10 livros de poesia e antologias poéticas no Brasil, 
Portugal e Espanha.  






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