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CANÇÃO DO RECIFE PARA SEMPRE, de Antonio Botelho

Haverá sempre um Recife no meu peito. Um Recife que tem o cheiro da saudade De uma mãe invisível que permanece Me esperando na janela. Haverá sempre um Recife no meu peito. Um Recife que tem a cor da lembrança Dos sapatos de um pai que está sempre A retornar de uma viagem imaginária. Haverá sempre um Recife no meu peito. Recife que é fera que salta no meu sonho. Recife que revela a fera que pretendo Mas que jamais serei. Haverá ontem, hoje e sempre Um Recife que me apunhala Me acorrenta e me liberta Em suas pontes que me atravessam E me levam A todo e a nenhum lugar.   (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  _______________________________________ T ranscrito da AGENDA CULTURAL  - Número 216 /  Agosto 2013 -  Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /  Fundação de Cultura Cidade do Recife  Seção "Literatura" :  Poesia Viva do Recife  (http://www.recife.pe.gov.b...

POESIA VIVA DE NATAL : "UMA CIDADE VESTIDA DE SOL", de Racine Santos

Sendo a cidade Natal uma filha do Nordeste pega o sol toda manhã e com ele então se veste. Natal se veste de sol roupa de rica fazenda não se rasga nem se suja e tampouco se remenda. O sol cai sobre Natal como roupa bem talhada (de linho ou de algodão) que a traz iluminada. Como uma roupa de festa, um vestido de noivado, ou como um terno branco todo engomado. Como uma roupa de gala eu bem diria, mesmo que seja usada no dia a dia. Roupa de puro sol que larga se faz na praia onde parece um lençol : branco lençol de cambraia. Assim vestida de sol a cidade de Natal lembra mulher em repouso terna e sensual. De dezembro a fevereiro quando mais forte o calor a cidade então se veste com mais apuro e rigor. Nesse tempo de verão explode a cidade em luz : por todo canto se vê os estilhaços cajus. Mesmo vestida de sol (como pedra no sertão) ainda mais se agasalha quando se faz o verão. No verão ela se veste de sol com tanta alegria que se mai...

POESIA VIVA DO RECIFE : "SERMÃO PARA UMA CIDADE", de Rogério Generoso

Olhai, que o atlântico já anuncia  tuas casas, pontes e rios, submersas.  Olhai, que um polvo já desliza  em teu futuro extinto, aonde fora  o pináculo dos teus edifícios.  E, uma floresta de corais, já cobre  a tua geografia, onde antes se viam homens e automóveis.  (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya) __________________________________________________________ ROGÉRIO GENEROSO - Recifense, nascido em setembro de 1963.  Criou, com um grupo de amigos, o movimento cultural "Invenção de Poesia", que promove, desde 2004, exposições mensais  de poesia na Biblioteca Popular de Casa Amarela.  Participação ativa em recitais poéticos na região do Grande Recife.  É membro da diretoria da UBE-PE. Incluído na antologia MARGINAL RECIFE - Coletânea Poética 5, publicação da Fundação de Cultura Cidade do Recife. Poemas publicados em jornais alternativos  e na Internet. ...

POESIA VIVA DO RECIFE : "CHOVE NA RUA DO SOL", de Luciano Nunes

Andando com meus óculos embaçados na neblina de maio atravesso a Ponte Duarte Coelho sinto os dedos do tempo, ao lado, batendo no ombro do silêncio.  Recife é a parede a janela  dela vejo o mundo. Lá fora Deus é pássaro.  Chove na Rua do Sol Chove no Rio da Rua da Aurora Quem sente frio na Rua do Sol Escreve poesia com a tinta da chuva.  Passeia chuva, passeia, Passeia na ponte, vadeia nas ilhas.  Domingo de chuva e silêncio mergulho no rio das horas  com meus óculos embaçados.    (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya ) ________________________________________ LUCIANO NUNES - Recifense.  É funcionário público federal. Poeta, compositor e autor  de  música popular, com gravações em CDs de Patricia  Cruz e Paulo Diniz.  Tem pronto para publicação  um estudo sobre poetas populares nordestinos.  Inédito em livro. ...

POESIA VIVA DO RECIFE : "RECIFE", de Marco Polo Guimarães

(Homenagem aos 476 Anos da Cidade) Recife, cidade pantera, fera de lata e latão, gume de foice, severa esfera de ferro, ferrão. Recife, cidade minério, rios, ventos, luz e chão, poço cavado no aéreo areal da imaginação.   (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya) ___________________________________________________________ MARCO POLO GUIMARÃES - Recifense, nascido em março de 1949. É diretor de produção editorial da CEPE. Poemas publicados em jornais,  revistas e antologias brasileiras. Poesia  publicada : Voo Subterrâneo, Brilho, Palavra Clara, A Superfície do Silêncio, Caligrafias, Sax áspero, Corpo Inteiro .   Participou da primeira edição   da antologia    Poesia Viva do Recife (CEPE / Governo de Pernambuco, Recife, PE, 1996) Acesse : Agenda Cultural  (Abril 2013) - Literatura    http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural

POESIA VIVA DO RECIFE : livro impresso e eletrônico em homenagem aos 476 anos da Cidade

     A segunda edição da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, ampliada com a reunião de textos de 200 poetas pernambucanos, será lançada, pela Panamerica Nordestal Editora, em edições impressa e eletrônica, ainda neste ano de 2013, em homenagem aos 476 anos da cidade.       O poeta e editor Juareiz Correya, responsável pela organização da antologia, esclarece que "na primeira edição, publicada pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Governo do Estado, em 1996, por iniciativa do presidente Evaldo Costa, o livro reunia 100 poetas pernambucanos.  A nova edição, revista e ampliada, preserva os poetas/poemas publicados da primeira edição e publica novos textos, criados sobre o Recife, de alguns poetas já conhecidos e de novos e novíssimos poetas que vivem, amam e eternizam a cidade."      Além dos 100 poetas já publicados na primeira edição da antologia, estes são alguns dos novos nomes com poemas já selecionado...

POESIA VIVA DO RECIFE : "Recife : Geografia Pessoal", de Jaci Bezerra

Guarda a cidade num dos arquipélagos da alma  como quem guarda na estante os seus poetas prediletos : Bandeira, Cardozo, João Cabral, Carlos Drummond de Andrade. E sabe, ao amorosamente folheá-la, que pode ir dormir como homem e acordar como acácia.  Nada capaz de assustar a poesia. Apenas, depois que a conheceu, aceitou ficar assim  povoado de beirais e torres de igrejas  para sustentar andorinhas no ar. E branco, todo branco, como a alma em cal viva  lavra esse metro de lembrança e luz com um solitário rio no meio : cantando.  (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya ) ___________________________________________________________ JACI BEZERRA nasceu em Murici (AL). Vive desde a adolescência no Recife. Poeta,  contista, dramaturgo e editor.  Criador, com Alberto da Cunha Melo e alguns amigos, do movimento cultural  "Edições Pirata".  Poesia publicada em antologias nordestinas  e...