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POESIA VIVA DO RECIFE : "COMPANHEIRO" (fragmentos), de Socorro Nunes

pela porta de entrada  ele chega  como quem não quer nada ou tudo.  quando se vê  já é noite  passam-se os dias  meses  anos  e ele lá.  ...................................................  o mar do recife  entra porta a dentro   como as montanhas  de Minas  e o luar do sertão  e assim ficará  testemunhando de perto  mais um início.    (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  ___________________________________________________________  SOCORRO NUNES - Nasceu em Araripe (CE).  Professora, poetisa.  Mudou-se para Minas Gerais, onde viveu 30 anos. Doutorado em Educação  pela UFMG, tornou-se professora da Universidade Federal de São João  del-Rei (2004).  Pós-doutorado em Londres, Inglaterra (2010) nas questões  ligadas à cultura escrita, letramento...

POESIA VIVA DO RECIFE : "ESFOLHANDO O AMADO CORPO" (fragmento), de Luzilá Gonçalves

... Tudo cabe aqui :  uma menina magrinha retoma o caminho do colégio  pelas ruas do Espinheiro e a adolescência se refaz  no Parque 13 de Maio, onde a gente festeja a vida   depois das aulas. Aqui reencontro amigos,  naquela praça ouvi meu primeiro "eu te amo", naquele   cais chorei o amor desesperadamente perdido,  o Capibaribe por testemunha.    Outras cidade serão mais belas - o mundo está   cheio de corpos lindos - mas nenhuma delas me daria esta sensação permanente de surpresa e descobertas,  ser único e insubstituível, cuja forma, odores, maciez,  eu reconheceria de olhos fechados Recife, corpo  amado.    (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  _______________________________________________________________ LUZILÁ GONÇALVES  -  Nasceu em Garanhuns (PE) e vive no Recife desde  os 6 anos de idade. ...

RECIFE, de Montez Magno

Esta claridade  que mata e não ilumina.  Este suor do tempo  e o seu calor;   a umidade presente  escorrendo no corpo  e a sua boca gritando  fugindo dos apelos   que rondam pela cidade;  e esta cicatriz quase nua   como um carimbo roto  que não tem mais validade.  (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  _________________________________________________________________ MONTEZ MAGNO  - Nasceu em Timbaúba (PE) no ano de 1944. Poeta, pintor,  contista, ensaísta. Exposições de arte realizadas no Brasil e no Exterior. Poesia  publicada : Floemas, Narkosis, Dentro da Caixa/Cinza, Pequenos Sucessos,  As Estações Visionárias, Diwan da Casa Forte.   Participou da primeira edição   da antologia Poesia Viva do Recife (CEPE, Recife, 1996).    ...........................................................

POESIA VIVA DO RECIFE :"DOS MEUS SONHOS DE MENINA" (fragmento), de Germana Accioly

   Seis da manhã.  Tocam os sinos da igreja de Santa Cruz.  Repicam-se na igreja de São Gonçalo.  O convento da Glória acorda seus carrilhões.  A Matriz da Imperatriz alardeia.  Estou no coração da cidade.  Cada vez mais no seu coração, nas suas tripas, no seu miúdo.  Agradeço ao Recife por me mostrar o Coque.  Por sentir o cheiro azedo dos seus canais.  Por me agraciar com a paisagem das palafitas a partir da Ponte Velha,  Contraste do Mangue provedor com o cais excludente.  Agradeço porque assim amo mais.  Sou grata pela paisagem do porto no Marco Zero.  Pelas colinas da Marim que revelam minha cidade natal de cima.  O colorido do carnaval que entorpece.  O clarim que hipnotiza.  O frevo que escraviza a alma folia...      (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  ________________________...

SAÍ A CAMINHAR PELAS "CALLES", de Héctor Pellizzi

que aqui se chamam ruas  e vi um mendigo velho  que lavava os cabelos  num charco de água suja.   a noite calorosa   suspensa nos meus ombros  esmagou os meus ossos,  e esse charco sobre o cimento me lembrou o companheiro  que lutou contra isso  e agora está morto.   saí a caminhar pelas "calles"  que se chamam ruas  e voltei comovido   com o coração oprimido  e os bolsos sem luas.     (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  ______________________________________________________________ HÉCTOR PELLIZZI - Nasceu em Junín, região metropolitana de Buenos Aires, Argentina. Poeta, contista, dramaturgo, jornalista, editor. Radicado no Recife, em 1980, militou no Movimento dos Escritores Independentes de Pernambuco - MEIPE. Publicou, entre outros, estes livros de poesia :  Por Camiños de Pajáros, Pequenos Poemas Bilingues,  Con...

POESIA VIVA DO RECIFE : "CASA DE DETENÇÃO", de Severino Filgueira

Na janela  de um antigo prédio   sonha-se o túmulo   e a rama   solitária da estação.   Parece impossível  que se medite   no verso que passou  enquanto pregam  cartazes nos murais   e um cão  muda de lugar   e numa terra distante   o povo livre   recebe o ar  do dia. As pedras dormem  e as ondas seguem.       (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya) ______________________________________________ SEVERINO FILGUEIRA - Nasceu em Aracaju (SE).  Poeta, novelista, dramaturgo e romancista. Trabalhos  publicados em suplementos literários do Diário de   Pernambuco e Jornal do Commercio e em antologias  pernambucanas. Poesia publicada : Aposentos do  sonho (in "Quíntuplo"), Iniciação à Fábula ,  Qualquerum. Participou da primeira edição da  antologia Poesia Viva do Recife ( Companhia Editora  ...

POETAS DOS PALMARES : "CARTA A MINHA CIDADE", de Luiz Alberto Machado

ao meu rincão  que soletrei sílabas de todos os tons  deixo o meu desejo provinciano   foi nas tuas praças que descobri a poesia   foi na tua noite que desvendei mistérios   foi no teu dia que morri muitas vezes  foi no teu canavial  que deixei meu sangue   foi no teu rio que comunguei com a vida   dos bairros nobres ao baixo meretrício   dos bueiros da usina aos estudos da faculdade  da safra da cana à entressafra da razão  da incompetência da câmara ao sucesso dos loucos  dos desvarios comerciais aos crimes impunes   das damas hipócritas às jovens sedutoras   das reuniões inúteis às salas de dança  dos cultores do passado aos artistas malucos   me completei  me dizimei  e me consenti  com certeza te deixo o meu velório   e a paz de quem sorri.     (Da antologia  POETAS DOS PALMARES,  organizada por Juareiz Correya, em edição eletr...