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A CANÇÃO DA CIDADE AMADA, de Maria Pereira de Albuquerque

Durante o dia sou a mulher  que não anda corre  através das ruas   driblando pivetes  e carros.  Durante o dia sou a mulher   máquina   que se desvia dos camelôs  da Guarda Municipal   não olha vitrines   passa.  Porém à noite   solto os cabelos  aos alíseos   vôo rasante entre   penhascos, escolhos   e desato a alma.   Ah, noite-Recife   de sustos e graças !  (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  ___________________________________________ T ranscrito da AGENDA CULTURAL DO RECIFE  (Outubro, 2013)  - Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /  Fundação de Cultura   Cidade do Recife  Acesse : Seção Literatura / Poesia Viva do Recife  http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural  http://www.agendaculturaldorecife.blogspot.com ...

POESIA VIVA DO RECIFE : "GERAÇÃO", de Cida Pedrosa

vivíamos no intestino do recife  e o capibaribe   era um parto de sonhos   onde digeríamos sonhos   vai longe o tempo   em que fuzis e baionetas   poderiam ser canto   enternecido e libre   geração ácida   que diluía a alma em álcool   e fazia da redoma o copo   com certeza, senhores   vai longe, muito longe, o tempo   em que tiramos o papel do limbo  e cravamos o punhal no branco   (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya)  ________________________________________________________  CIDA PEDROSA - Nasceu em Bodocó (PE). Militante dos Escritores  Independentes de Pernambuco. Poetisa, advogada. Organiza recitais  de poesia nas ruas do Recife e em cidades da Região Metropolitana.  Dirige, com Sennor Ramos, a revista eletrônica de poesia  INTERPOÉTICA (www.interpoetica.com) É secretária do Meio Amb...

CANÇÃO DO RECIFE PARA SEMPRE, de Antonio Botelho

Haverá sempre um Recife no meu peito. Um Recife que tem o cheiro da saudade De uma mãe invisível que permanece Me esperando na janela. Haverá sempre um Recife no meu peito. Um Recife que tem a cor da lembrança Dos sapatos de um pai que está sempre A retornar de uma viagem imaginária. Haverá sempre um Recife no meu peito. Recife que é fera que salta no meu sonho. Recife que revela a fera que pretendo Mas que jamais serei. Haverá ontem, hoje e sempre Um Recife que me apunhala Me acorrenta e me liberta Em suas pontes que me atravessam E me levam A todo e a nenhum lugar.   (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya)  _______________________________________ T ranscrito da AGENDA CULTURAL  - Número 216 /  Agosto 2013 -  Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /  Fundação de Cultura Cidade do Recife  Seção "Literatura" :  Poesia Viva do Recife  (http://www.recife.pe.gov.b...

POESIA VIVA DE NATAL : "UMA CIDADE VESTIDA DE SOL", de Racine Santos

Sendo a cidade Natal uma filha do Nordeste pega o sol toda manhã e com ele então se veste. Natal se veste de sol roupa de rica fazenda não se rasga nem se suja e tampouco se remenda. O sol cai sobre Natal como roupa bem talhada (de linho ou de algodão) que a traz iluminada. Como uma roupa de festa, um vestido de noivado, ou como um terno branco todo engomado. Como uma roupa de gala eu bem diria, mesmo que seja usada no dia a dia. Roupa de puro sol que larga se faz na praia onde parece um lençol : branco lençol de cambraia. Assim vestida de sol a cidade de Natal lembra mulher em repouso terna e sensual. De dezembro a fevereiro quando mais forte o calor a cidade então se veste com mais apuro e rigor. Nesse tempo de verão explode a cidade em luz : por todo canto se vê os estilhaços cajus. Mesmo vestida de sol (como pedra no sertão) ainda mais se agasalha quando se faz o verão. No verão ela se veste de sol com tanta alegria que se mai...

POESIA VIVA DO RECIFE : "SERMÃO PARA UMA CIDADE", de Rogério Generoso

Olhai, que o atlântico já anuncia  tuas casas, pontes e rios, submersas.  Olhai, que um polvo já desliza  em teu futuro extinto, aonde fora  o pináculo dos teus edifícios.  E, uma floresta de corais, já cobre  a tua geografia, onde antes se viam homens e automóveis.  (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya) __________________________________________________________ ROGÉRIO GENEROSO - Recifense, nascido em setembro de 1963.  Criou, com um grupo de amigos, o movimento cultural "Invenção de Poesia", que promove, desde 2004, exposições mensais  de poesia na Biblioteca Popular de Casa Amarela.  Participação ativa em recitais poéticos na região do Grande Recife.  É membro da diretoria da UBE-PE. Incluído na antologia MARGINAL RECIFE - Coletânea Poética 5, publicação da Fundação de Cultura Cidade do Recife. Poemas publicados em jornais alternativos  e na Internet. ...

POESIA VIVA DO RECIFE : "CHOVE NA RUA DO SOL", de Luciano Nunes

Andando com meus óculos embaçados na neblina de maio atravesso a Ponte Duarte Coelho sinto os dedos do tempo, ao lado, batendo no ombro do silêncio.  Recife é a parede a janela  dela vejo o mundo. Lá fora Deus é pássaro.  Chove na Rua do Sol Chove no Rio da Rua da Aurora Quem sente frio na Rua do Sol Escreve poesia com a tinta da chuva.  Passeia chuva, passeia, Passeia na ponte, vadeia nas ilhas.  Domingo de chuva e silêncio mergulho no rio das horas  com meus óculos embaçados.    (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,  organizada por Juareiz Correya ) ________________________________________ LUCIANO NUNES - Recifense.  É funcionário público federal. Poeta, compositor e autor  de  música popular, com gravações em CDs de Patricia  Cruz e Paulo Diniz.  Tem pronto para publicação  um estudo sobre poetas populares nordestinos.  Inédito em livro. ...

POESIA VIVA DO RECIFE : "RECIFE", de Marco Polo Guimarães

(Homenagem aos 476 Anos da Cidade) Recife, cidade pantera, fera de lata e latão, gume de foice, severa esfera de ferro, ferrão. Recife, cidade minério, rios, ventos, luz e chão, poço cavado no aéreo areal da imaginação.   (Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya) ___________________________________________________________ MARCO POLO GUIMARÃES - Recifense, nascido em março de 1949. É diretor de produção editorial da CEPE. Poemas publicados em jornais,  revistas e antologias brasileiras. Poesia  publicada : Voo Subterrâneo, Brilho, Palavra Clara, A Superfície do Silêncio, Caligrafias, Sax áspero, Corpo Inteiro .   Participou da primeira edição   da antologia    Poesia Viva do Recife (CEPE / Governo de Pernambuco, Recife, PE, 1996) Acesse : Agenda Cultural  (Abril 2013) - Literatura    http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural